A revolução de escolher devagar
Em 2023 comecei a divulgar o primeiro Curso de Chi Kung num modelo do qual eu tinha sido um fundador em 2003 em Lisboa. Este é um modelo de fundo, não um modelo de 8 semanas mas um modelo ao longo das estações do ano.
Confesso que a tentação para alterar este curso para menos tempo é grande e constante especialmente quando estamos a ouvir constantemente que as pessoas têm menos capacidade de realizar um curso de longa duração, que desejam soluções rápidas e que sejam convenientes, perto, barato, fácil.
O que me motiva a continuar é observar que mais de uma centena de pessoas já tenha terminado este primeiro ano e as transformações que este curso trouxe às suas vidas.
Por um lado concordo que a mente humana está a passar por desafios grandes em que vive no limite do que é possível dar atenção nos dias de hoje, com tanta solicitação que nos surge em todo o lado, e pode haver momentos que nos dá vontade de nos escondermos. A questão é para onde?
Acredito que a solução não passa por apenas desconectar, nem fugir para um sítio isolado, porque mais tarde ou mais cedo teremos de voltar.
A solução passa por vários factores, não apenas pela dica milagrosa.
Primeiro factor: O momento certo em que por mais que estejamos cansados, desiludidos, assoberbados temos o apoio incondicional da natureza. Esses meses são a primavera e o verão. Qualquer hábito que deseje implementar vai ter mais probabilidade de sucesso, porque existe mais energia disponível, mais calor e movimento.
Segundo factor: tempo. Qualquer mudança leva tempo, especialmente hábitos que podem transformar a nossa vida.
Aprender a andar, a escrever, a ler, fazer contas, aprender a conduzir um automóvel, cozinhar, interagir com as pessoas que mais amamos e aquilo que consideramos que nos nutre leva tempo, e requer uma atitude de gota a gota para atingir a mestria que desejamos.
Terceiro factor: inter-ajuda, comunidade. Para além do sentimento de assoberbamento geral que podemos viver estamos a confundir as redes sociais e o mundo digital como uma oportunidade de conexão nutritiva. Sim é um complemento valioso, sem dúvida, mas não é o real thing, é como comer comida de plástico, a pensar que estamos a ser nutridos. Não estamos, é um engano, pois a partir de certo ponto nas nossas vidas, se queremos evoluir a comunidade deve estar presente, para nos nutrir e para também usufruir da nutrição que podemos também proporcionar. E isto não é ficção - somos o resultado das características das cinco pessoas com quem convivemos.
E por isso depois de três semanas a fazer entrevistas para o curso de Chi Kung Terapêutico ouvi a referência de pelo menos um dos factores acima na motivação para a sua inscrição.
A possibilidade de terem tempo para a mudança, possibilidade de ver o essencial, o momentum energético da primavera e a comunidade.
Mas houve duas entrevistas em que me disseram que uma das razões para frequentar este curso foi ser longo e não algo breve e que isso já não é comum. E confesso que me deixou feliz, porque mais uma vez a Academia Regenerar está a cortar o ruído daquilo que é comum e daquilo que se acredita ser o "normal".
Neste momento que escrevo este email o curso de Chi Kung vai para a frente e no dia 14 de Março vamos nos encontrar no Seminário da Silva em Barcelos, para com tempo, espaço, desconexão, num ambiente seguro, passarmos mergulhados em práticas e reflexões que nos permitem cortar a direito através do ruído que possamos estar a viver.
E vai ser assim em 8 retiros até Janeiro de 2027.
Isto não é vendido como uma experiência zen instantânea, mas como uma oportunidade de realizar um trabalho que é vital para a qualidade de vida que gostaríamos de criar para nós.
Se está a ler isto e algo ressoa — espero que não soe também a publicidade barata, porque é esta a minha vida nos últimos 25 anos, de ver e observar, como professor, às vezes como aluno que nada cai do céu, nem tampouco vamos ser salvos por uma qualquer dica que vamos ver nas redes sociais ou pelo toque na fronte do grande mestre que ansiamos encontrar.
Esse passo, o que procura, passa primariamente por assumir a necessidade de criar, finalmente, aquilo que sabe que precisa.
Uma prática que se mantém. Hábitos que funcionam. Uma comunidade que sustenta.
O curso é apenas o veículo. O trabalho é seu.
E se estiver disponível para esse trabalho — não por obrigação, mas porque sente que chegou o momento — ainda há tempo.
As inscrições fecham Sábado, 7 de Março.
Ou marcar uma conversa comigo.
Boas práticas,
Lourenço de Azevedo
P.S. — Se tiver dúvidas, pode responder a este email ou enviar mensagem para 919 926 081.
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