Academia Regenerar

Três princípios para a transformação

Antes do artigo desta semana, lembro que, por uma questão de logística, terminam esta semana, no dia 29 de Agosto, as inscrições para o Programa de alinhamento sazonal: Regenerar com as Estações: Outono. Para quem quer viver cada estação com máxima vitalidade

A página de divulgação foi reformulada com as perguntas que me foram feitas durante a semana passada e adicionei um bónus para quem desejar realizar este programa que inicia dia 1 de Setembro.

Pode descobrir este programa aqui.

E agora o artigo desta semana.

Três princípios para a transformação

No verão de 2007, lembro-me de estar em Amesterdão a passar duas semanas, no contexto de um intensivo de Chi Kung, quando, numa das manhãs, dedicado a um dos meus passatempos preferidos, estava a visitar livrarias.

Tinha acabado de descobrir uma que tinha dezenas de metros quadrados dedicados apenas a livros de auto-ajuda.

Lamas tibetanos, coaches de renome, padres, monges, pastores que apresentavam os seus ensinamentos como o veículo para uma vida mais sã, CEOs de empresas iluminados depois de um burnout, sobreviventes de doenças complicadas a partilhar as suas epifanias sobre formas e modelos de desenvolvimento pessoal — todos a conviver no mesmo espaço, lado a lado em prateleiras organizadas mas consideravelmente cheias.

De um dos cantos da sala, ao olhar para aquele cenário de capas desenhadas para captar a atenção, com dourados, vermelhos, contrastes estudados segundo as regras do marketing da época, fotos que transpiravam saúde, vitalidade e sucesso, surgiu-me também a mim uma epifania sob forma de pergunta:

"Se existem tantos recursos, se aqui está a nata que permite tornar este mundo melhor, então porque é que isso não acontece? Porque é que não estamos todos iluminados ou pelo menos melhores com a vida?"

Apesar de não ter uma resposta no momento, esta foi ficando mais clara ao longo do tempo.

Com algo que eu chamo princípios para a transformação, resultado de uma compilação de princípios universais da sabedoria tradicional:

  1. Dificilmente alguém se poderá iluminar apenas lendo um livro sozinho na sua sala de estar.Podemos ter epifanias ou realizações, mas isso, na maioria dos casos, não é suficiente e é estilhaçado pelo contacto com a realidade do dia a dia.
  2. Um estado de maior bem-estar e discernimento não assenta apenas num factor, mas na combinação de vários factores; esses factores incluem tradicionalmente o corpo, a respiração e a mente.
  3. É necessária a existência de um ecossistema de conhecimento e prática que permita fazer uma boa gestão dos três aspectos que na história humana têm criado aquilo que se pode chamar o inferno interno humano — que acaba por se manifestar no exterior em todos os conflitos que conhecemos, próximos e distantes no passado e na actualidade. São eles: a Ignorância, o Apego e a Aversão, conhecidos no budismo como os três venenos.
  4. A noção de que mais importante do que a meta que desejamos atingir são os pequenos passos que podemos trazer para as nossas vidas. O caminho de A para B — sendo A onde estou e B onde quero estar — não é quântico nem feito num só passo; existe entre A e B o A1, A2, A3... A100... A1000... Ou seja, não é o objectivo que nos traz alegria, mas a satisfação que damos em cada passo nesse sentido que traz sentido à jornada.

É talvez por este último ponto que tenho nos últimos anos dado tanta importância à transição.

Existem transições mais simples como:

  • Limpar a cozinha antes de cozinhar;
  • Arrumar a secretária antes de escrever;
  • Fechar todas as janelas e aplicações antes de começar a trabalhar no computador;
  • Limpar o espaço de prática antes de começar a prática, seja ela Chi Kung, Meditação ou Yoga;
  • Respirar de forma consciente antes de uma reunião ou conversa importante.

Outras mais complexas e abrangentes:

  • Pausas antes de cada período de transição do dia;
  • Pausas nos períodos de transição da vida;
  • Pausas nos períodos de transição das estações do ano.

Este último é um tema que me apaixona: transição e adaptação sazonal como forma de criar mais vitalidade física e emocional.

E lidar com a ignorância de que a vida afinal é sempre igual, e com a tendência de gostarmos mais de uma estação em relação a outra pela qual simpatizamos menos. Ignorância, Apego e Aversão numa das suas expressões.

Daí o livro Regenerar que escrevi com a Marta.

E daí também o programa que vai iniciar na próxima segunda-feira, dia 1 de Setembro: Regenerar com as Estações: Outono. Para quem quer viver cada estação com máxima vitalidade

  • Não é um programa só teórico;
  • Não é um programa só prático;
  • É um programa que apesar de já ter acontecido no ano passado, não é igual.
  • É um programa onde a respiração, alinhado com o movimento e a atenção plena tem um papel central.

Assenta em 3 pilares

Chi Kung Terapêutico
Sequências para mobilidade, circulação e respiração coerente para clareza mental

Com movimentos suaves que trabalham com a energia natural do outono. Práticas adaptáveis a todos os níveis que fortalecem o sistema respiratório, melhoram a circulação e preparam o corpo para as temperaturas mais baixas.

Sabedoria das Estações
Conhecimento ancestral para planeamento consciente

Como alinhar a sua vida com os ritmos naturais do outono. Aprenda a planear projectos, estabelecer rotinas e tomar decisões importantes usando a energia concentradora desta estação. Inclui princípios contemporâneos e da medicina tradicional chinesa aplicados à transição sazonal.

Alimentação Sazonal
Escolhas simples para apoiar a sua energia nesta estação

Descubra quais são os alimentos que naturalmente aquecem e fortalecem durante a transição. Qual o ritmo nutricional para uma energia estável com adaptações para diferentes estilos de vida e necessidades.

Este é um programa que decorre nos primeiros 26 dias de Setembro, para que quem participa possa alinhar corpo, respiração e mente para o Outono que se segue.

Porque na minha experiência existem duas mentalidades neste processo que levam a duas experiências totalmente diferentes:

  1. Mentalidade Reactiva:
    "Quando chegar o outono, logo vejo se preciso de algo..."
    Traduz-se em sofrimento e aversão durante as mudanças sazonais em vez de as aproveitar.

  2. Mentalidade Preventiva:
    "Vou preparar-me conscientemente para viver este outono com máxima vitalidade."
    Isto transforma cada estação numa oportunidade de crescimento e transformação.

Se lhe fosse dada a oportunidade de escolher, qual escolheria?

Porque a natureza não pergunta se estamos preparados para o outono. Ele chega e manifesta-se.

O que coloca a questão: vai vivê-lo como observador deste processo de forma passiva ou como participante consciente?

Por uma questão de logística as inscrições terminam esta sexta-feira.

Qualquer questão sobre este programa envie-me uma mensagem.

Boas práticas e até para a semana.

Lourenço de Azevedo.


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