Parar para Regenerar
Confesso que apesar de ter quase três décadas de prática de Chi Kung Terapêutico, existem momentos na minha vida que me fazem criar ressonância e compaixão com pacientes, alunos, amigos e a humanidade no geral.
Momentos em que é fácil sermos levados pelas emoções de ansiedade, raiva, perda de controlo, sentirmo-nos dormentes, deslocados, paralisados com o corpo a pedir para desligar.
E se por acaso é alguém que está a ler este artigo e não sentiu pelo menos uma destas emoções de forma intensa durante a sua vida então por favor escreva-me um email que quero saber como faz.
Na tradição médica oriental diz-se que existem 5 emoções: Raiva, Euforia, Pensamento Obsessivo, Tristeza e Medo. Se alguém está sempre neste registo é patológico, mas se a memória nos falha da última vez que tocamos nem que seja um destes estados então também é patológico - é quase como se estivéssemos a pintar o quadro da vida com uma palette de cores aborrecidas.
Ao longo dos anos tenho aprendido que existe uma diferença colossal entre viver estas emoções e ser totalmente consumido por elas, tornando-se um padrão crónico, e em viver estas emoções e conseguir com mais ou menos recursos, regressar a casa.
Sim aconteceu, sim foi desafiante, sim perdi o pé mas regressei a casa.
Esta para mim é uma pergunta essencial: nestes momentos, como regressar a casa? Tal qual o Teseu, a personagem da mitologia grega que matou o Minotauro e conseguiu sair do labirinto ileso.
Como regressamos então a casa?
A primeira pergunta é: há quanto tempo estamos fora de casa?
E, optimista ou não, eu acredito que é sempre possível regressar a casa. Mesmo que esse regresso não seja totalmente possível, pelo menos é possível ficar mais perto do que estávamos quando iniciamos esta viagem de retorno.
A primeira coisa que necessitamos é de parar. Parar, ponto.
Cultivar a nobre arte do cultivo da quietude.
Essa paragem pode ser informal: sofá, chão, cadeira - parar, sossegar, desligar.
Ou formal: orar, meditar, respirar conscientemente.
E como isto pode ser difícil.
E a dificuldade está relacionada com:
- 1º isto não se ensina nas escolas.
- 2º a partir dos 40 anos entramos numa segunda adolescência, hormonalmente falando.
Isso significa algo como a incapacidade de regular os estados emocionais que surgem associados frequentemente aos entre 6.000 a 70.000 pensamentos por dia.
E a sensação de impotência da mente de se tornar como um cavalo selvagem, às vezes mesmo como padrão.
Se observarmos que respiramos em média cerca de 20 a 25 mil respirações por dia, a cada respiração temos a oportunidade de transmutar algo:
- Raiva em Criatividade
- Euforia em Alegria
- Pensamento Obsessivo em Ações Concretas
- Tristeza em Desapego
- Medo em Resiliência
Isto não acontece de forma mágica ou instantânea. É uma prática. Às vezes obtemos o resultado que desejamos, outras não. Mas a oportunidade está sempre presente.
Quando o discípulo perguntava ao mestre qual é o melhor momento para cuidar de nós, o mestre respondeu: "O melhor momento foi há 20 anos atrás, o segundo melhor momento é agora.
O stress resultante da mudança vai sempre existir, assim como o stress associado ao apego - de como gostaríamos que o mundo ou a vida fosse - e a aversão quando esse desejo não se concretiza.
E tudo começa com parar e com a respiração seguinte.
Casa não é um lugar perfeito onde nunca sentimos raiva, medo ou tristeza. Casa é o lugar onde, mesmo sentindo essas emoções, sabemos que não estamos perdidos. E que a cada respiração, podemos regressar.
Em Janeiro, vou começar com um grupo de respiração consciente para praticarmos juntos esta arte de regressar a casa.
Se gostaria de começar o ano com uma prática regular matinal, duas vezes por semana, terças e quintas das 7 às 7:20, deixe o seu email aqui.
Até para a semana.
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