Academia Regenerar

A Primavera não se força

Março está a chegar e com ele a mensagem habitual: Detox! Renascimento! Energia nova!

As redes sociais enchem-se de programas de transformação. Os artigos prometem "8 semanas para um novo eu". A pressão é clara: "Aproveite a energia da Primavera, mude tudo agora".

Simultaneamente surge quase a obrigação de seguir ou de correr o risco de perder esta oportunidade.

E o que acontece? Mudanças abruptas para "entrar no vibe":

  • Acordar às 6h quando ainda dorme mal às 23h
  • Começar treinos intensos quando durante o Inverno cultivou um estilo de vida mais sedentário
  • Cortar açúcar, glúten, café — tudo ao mesmo tempo
  • Adicionar meditação, exercício, leitura — cinco hábitos novos de uma vez

Dias depois, desiste-se. E fica o sentimento que se falhou. Outra vez.

Mas e se chegou à Primavera já com a sensação de cansaço ou até mesmo esgotamento?

Porque forçar mudanças abruptas não funciona

O corpo não reconhece calendários. Reconhece transições graduais.

A natureza não acorda a 20 de Março e decide: "Hoje é Primavera, vou florir tudo de repente." As árvores não forçam o aparecimento dos primeiros botões porque o equinócio passou. Há um processo lento nas raízes antes de qualquer flor aparecer.

Mas existe a tendência de saltar directamente para a versão "energética" de nós mesmos porque o calendário mudou.

E embora possa parecer contra-intuitivo, esta tendência para mudanças abruptas surge mais frequentemente quando estamos mais cansados. É como se o cansaço que a vida nos infringe criasse uma urgência de mudar , com custos frequentemente altos para a nossa vitalidade e autoestima.

Quando se forçam mudanças abruptas, especialmente num estado de cansaço:

O sistema nervoso interpreta como ameaça. Mais uma coisa para fazer. Mais pressão. O corpo que já estava em alerta... continua em alerta. Só que agora com mais tarefas.

O corpo resiste porque ainda está em modo protecção. Se ainda respira de forma curta e superficial, se os ombros ainda estão tensos, se o sono ainda não é reparador — biologicamente, ainda está em Inverno. E em sobrevivência, o corpo não expande. Protege.

E depois surge a frase: "Falhei outra vez. Não tenho disciplina."

Mas não é isso, não é falta de disciplina. É biologia.

O corpo precisa de sentir segurança na mudança antes de poder expandir.

O que a Primavera pode estar a pedir (e não é o que espera)

Se chega esgotado à Primavera, a estação pode estar a pedir exactamente o oposto do que a cultura wellness promete.

Não acelerar, e avaliar os seus recursos primeiro.

Em 25 anos a ensinar práticas de saúde e bem estar, observo este padrão: pessoas que tentam forçar a "energia de Primavera" quando o corpo ainda precisa de fechar o ciclo de Inverno.

E o corpo resiste. Através de constipações que obrigam a parar. Exaustões que não passam. Auto-sabotagem que parece falta de vontade mas é protecção.

A diferença entre expansão forçada e expansão natural:

Na expansão forçada: adiciono hábitos, crio listas, pressiono-me para ter a energia que "deveria" ter. O corpo resiste e isto leva à desistência e à culpa.

Expansão natural: acalmo o sistema nervoso, crio condições de segurança, deixo o corpo completar a transição ao seu ritmo. A energia surge porque criei espaço para ela.

A Primavera, como qualquer outra estação, não é algo que se cria com força de vontade. É algo que se permite que aconteça.

As duas práticas que facilitam a transição

Respiração que acalma o sistema nervoso

Repare na sua respiração neste momento. É curta? Superficial? Só no peito?

Se sim, o corpo está a dizer: "Há perigo. Não é seguro relaxar."

E não importa o que o calendário diz. Se a respiração está em modo de alerta, biologicamente ainda está em modo Inverno. A Primavera não "chega" enquanto o sistema nervoso não receber a mensagem: é seguro relaxar, é seguro abraçar novas possibilidades.

A respiração consciente ensina ao corpo que existe uma casa a que todos podemos regressar. É criar espaço — literal, no corpo; metafórico, na vida — para que algo novo possa entrar.

A expiração permite a inspiração nova. Precisa de esvaziar o copo e a mente antes de os encher de novo.

Movimento que acompanha a estação

Chi Kung sazonal não é sobre "criar energia". É sobre alinhar-se com a energia que já está a mudar.

É focarmo-nos em investir a nossa energia na transição em vez de a direccionar para a mudança abrupta.

O Chi Kung:

  • Não exige energia que não tem
  • Respeita o ritmo de transição do corpo
  • Ensina ao sistema nervoso que expandir é seguro

Porque 21 dias? É aproximadamente o tempo que a natureza leva entre o equinócio e a Primavera estar instalada.

A Primavera vai acontecer de qualquer forma

A natureza não precisa que force nada. As árvores vão florir. Os dias vão ficar mais longos. A temperatura vai subir.

A Primavera acontece. Esteja de acordo ou não.

A pergunta não é "como crio energia de Primavera?"

A pergunta é: "O que preciso de alinhar no meu corpo, na minha respiração e na minha mente para que a expansão natural aconteça?"


Se este é o momento para si:

Na academia temos duas sugestões:

Programa de 21 Dias de Primavera 2026
Que lhe permite acompanhar a transição sazonal ao ritmo do corpo, não do calendário.
Programa online. Inscrições até ao final desta semana.

Workshop de Respiração Consciente — Lisboa
Que lhe vai dar recursos para onde quer que esteja e para onde quer que vá — tenha consigo uma das ferramentas mais poderosas não só para diagnosticar estados de activação e stress mas também para os regular.
Lisboa, Baixa-Chiado, dia 7 de Março. Inscrições até 28 de Fevereiro.

Ou nenhum deles, e está tudo bem. A Primavera não depende de fazer um programa. Mas se sente que precisa de apoio nesta transição, aqui está.

Até para a semana,

Lourenço de Azevedo


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