Para onde está a ir a sua energia?
Quando alguém me diz "não tenho energia", a minha primeira pergunta raramente é o que posso fornecer para que essa pessoa tenha mais energia.
Prefiro perguntar: "Consegue perceber o que está a drenar a energia que tem?"
Porque na maioria das vezes, o problema não é falta de energia. É fuga de energia.
Ou seja, o cansaço tem uma origem: estamos a utilizar mais energia do que aquela que temos disponível.
A história das barragens que consumiam tudo
Há mais de quatro mil anos, na região de Sichuan na China, um homem chamado Yu herdou um problema do pai: as inundações constantes do rio Amarelo.
O pai de Yu tinha construído barragens durante toda a sua vida. Barragens sólidas, bem feitas, que aparentemente funcionavam.
Mas a realidade era outra: essas estruturas exigiam manutenção constante. Consumiam recursos enormes só para se manterem de pé.
E mesmo assim, quando existia uma falha nesta manutenção, as barragens cediam trazendo prejuízos elevados àquela área da China.
Yu observou isto durante anos. E quando foi a sua vez de assumir a profissão do seu pai fez algo revolucionário: em vez de construir barragens maiores e mais fortes, criou canais. Deixou a água fluir quando se encontrava em excesso, aliviando assim a tensão da estrutura.
As inundações terminaram. A região prosperou.
A diferença? As barragens do pai bloqueavam. Os canais de Yu canalizavam.
Uns exigiam esforço constante para se manterem. Os outros trabalhavam com a natureza, não contra ela.
Esta história não é sobre engenharia de barragens.
É sobre a sua vida neste momento.
As barragens invisíveis que drenam a sua energia
Observe o seu dia a dia. Veja se reconhece elementos que "parecem bem" mas que, tal como as barragens do pai de Yu, requerem uma energia de manutenção elevada para se manterem funcionais.
Por outras palavras: não estão a fluir. Se estivessem, o consumo de recursos não seria tão grande.
Podem ser elementos laborais:
Um emprego que desgasta e não preenche, apesar do prestígio, reconhecimento ou salário que traz no final do mês.
Podem ser elementos da vida social ou íntima:
Embora aparentemente esteja tudo bem e pareça bem, existe uma sensação de rotina e vazio.
Podem ser elementos financeiros:
Apesar de ter tudo o que deseja, não tem tempo nem espaço para usufruir do que adquiriu.
Pode ser o estado físico e emocional:
Apesar de aparentar que está bem e em equilíbrio, sente que a barragem pode desabar a qualquer momento.
Pense nestes aspectos, especialmente quando sente alguns destes sinais:
- Falta de capacidade de organização do tempo disponível
- Incapacidade em desconectar-se das solicitações do dia a dia
- Dificuldade em relaxar das tensões físicas e mentais
- Flutuações emocionais entre alegria e tristeza
- Variações no apetite
- Dificuldade em adormecer ou em levantar-se da cama
- Dificuldades em definir prioridades
A pergunta não é: "Tenho pouca energia?"
A pergunta é: "Estou a suportar uma estrutura de alta manutenção? Durante quanto tempo pode ser sustentada? O que não está a fluir?"
Não é sobre adicionar mais energia
A narrativa habitual do cansaço é sempre a mesma: "Precisa de mais energia."
Mais café. Mais suplementos. Mais motivação. Mais força de vontade.
Mas se o problema não é falta de combustível, mas sim fugas no depósito, de que serve encher o depósito mais vezes?
Onde procurar as fugas
Quando Yu reinventou o trabalho do pai, não rejeitou o passado e a sabedoria do pai.
Usou os recursos disponíveis de forma diferente. Não construiu algo completamente novo do zero. Compreendeu os princípios da água e trabalhou com eles, não contra eles.
Na sua vida, funciona de forma semelhante.
Não são os factores externos que impedem a transformação. É a capacidade de reconhecer onde está a gastar energia contra a corrente natural das coisas.
Alguns exemplos:
Trabalhar contra o seu ritmo natural — Forçar criatividade às 18h quando o corpo pede organização. Fazer tarefas de foco de manhã quando a mente ainda não está desperta. Tentar dormir quando ainda está em modo alerta.
Manter relações que exigem representação constante — Amizades por conveniência. Contextos profissionais onde gasta mais energia para estar presente do que a fazer o trabalho em si.
Não fechar ciclos — Projectos inacabados que ocupam espaço mental. Conversas por ter. Decisões adiadas que drenam atenção todos os dias.
Tentar controlar o que não pode controlar — Preocupar-se com opiniões alheias. Tentar mudar pessoas. Resistir a mudanças de estação—literal ou metaforicamente.
Cada uma destas situações é uma barragem que consome energia só para se manter de pé.
E que pode rebentar a qualquer momento.
Se este tema ressoa consigo:
Às vezes, a fuga de energia está no desalinhamento com os ritmos naturais do corpo e das estações.
Este fim de semana vou realizar um habitual programa de Alinhamento Pessoal para os membros da Academia Regenerar.
Se não está na Academia, esta pode ser a sua oportunidade de olhar para trás a partir de um lugar seguro para construir, em três horas, um MAP - Mapa de Alinhamento Pessoal para os próximos 3 meses.
Será sábado, dia 21, no início da primavera, das 10 às 13 horas.
O valor de 25 euros inclui:
Acesso à gravação para poder ver ou rever os princípios que são a base do Método Regenerar.
Textos de apoio para a criação do MAP.
Esta não é uma sessão onde vai adquirir truques ou dicas, mas sim uma sessão prática, "de mãos na massa", um momento de pausa, desconexão, simplificação e trabalho profundo, se deseja entender o que pode fazer por si no aqui e agora com influência nos próximos 3 meses.
Inscrições aqui até sexta-feira às 18 horas.
Se sente que está a manter barragens e gostaria de criar canais, este pode ser o apoio nessa transição.
Até para a semana,
Lourenço de Azevedo
Inscrições para o - MAP - Mapa de Alinhemento Pessoal
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