Olhar para o inútil

May 18, 2021

Em 1995 o astrónomo Bob Williams tomou a iniciativa de apontar o telescópio Hubble durante 100 horas, para uma área vazia do espaço, uma área sem nada interessante a ser observado.

Esta foi uma decisão polémica, devido ao projecto Hubble ser na altura considerado um fracasso bastante dispendioso, devido a todos imprevistos que surgiram depois do seu lançamento.

Era importante e prioritário mostrar algo, rentabilizar e ser útil para mudar a opinião pública deste projecto.

Foi só com insistência que o astrónomo conseguiu que este projecto fosse aprovado.

Durante 100 horas o super telescópio esteve apontado para o vazio, para o nada.

No entanto, para além de todas as expectativas, imagens começaram a surgir do vazio, imagens que só a espera das exposições fotográficas longas permitiam obter.

O inútil tornou-se útil, devido à riqueza das imagens que foram aparecendo nas fotos. (imagem acima)

Esta descoberta foi um sucesso e levou a uma melhor compreensão do universo – mais uma pequena gota.

Esta parábola real pode ajudar a reflectir na necessidade de mesmo quando a urgência da vida nos pede para mostrar algo, rentabilizar ou ser útil, que o inútil também seja uma possibilidade e porque não, uma prioridade.

Práticas como a quietude, contemplação ou simplesmente o que gostamos de cultivar e que nos nutre profundamente, que apesar de poderem parecerem um olhar inútil para o vazio e uma perca de tempo, podem revelar galáxias de possibilidades fabulosas que povoam as nossas vidas.

Invisíveis ao olho comum, mas muito presentes no olhar de quem tem a coragem de fazer algo “inútil” e fora da caixa.

Boas práticas.

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