Evolução
Retiro para Instrutores de Chi Kung
Sabes ensinar.
Mas sabes se estás a evoluir?
3, 4 e 5 de Julho
Soutelo, Braga
Durante quinze anos estudei com o mesmo professor de Chi Kung.
Um ano depois de começar a estudar com ele, em 2005, propôs-me um desafio:
Durante um ano lectivo — quarenta semanas, cinco aulas por semana — ensinar como sistema principal apenas: As oito peças do brocado e 8 posturas da árvore como base de todo o meu ensino.
Só isso.
A minha primeira reacção foi de resistência. Parecia pouco. Como é que ia manter os alunos interessados durante mais de 200h com o mesmo material? O que iam pensar de mim?
Aceitei mesmo assim.
E foi difícil. Muito mais do que esperava.
Porque quando não tens formas novas para dar, és obrigado a encontrar outra coisa, praticar mais, estudar mais, a observar mais.
Mas também começas a perceber o que está realmente a acontecer com cada aluno.
A pergunta deixou de ser "o que ensino hoje?" e passou a ser "como é que isto chega a cada aluno?"
E aí algo mudou e curiosamente os alunos voltavam semana após semana.
Mostravam interesse.
E eu conseguia ver a evolução — não nas formas, mas neles.
Nos ombros que baixavam. Na respiração que abria. Na forma como chegavam à aula.
E pela primeira vez em mais de 5 anos de ensino comecei a ter alunos que tinham dúvidas, que praticavam em casa e que traziam outros com eles.
Percebi que não era o material que transformava. Era o que eu fazia com ele aplicado aqueles alunos.
Se ensinas Chi Kung provavelmente já sentiste isto:
As aulas correm bem. Os alunos aparecem. Mas algo não encaixa.
Não sabes se estás a evoluir como instrutor — ou apenas a repetir o que aprendeste.
Não sabes se os teus alunos estão a evoluir — ou apenas a aparecer.
O Chi Kung é subtil. Interior. Os resultados não se vêem facilmente. Não há marca no chão que diga: chegaste aqui, e antes estavas ali.
Então continuas. Aprendes mais formas. Mais sistemas. Mais conteúdo.
Há um alívio momentâneo.
E depois volta. A mesma sensação. O que vou ensinar agora?
Este retiro não vai dar-te mais material para ensinar.
Não é mais um curso. Não são mais formas.
São três dias para trabalhares uma pergunta diferente: como sei que estou a evoluir — e como sei que os meus alunos estão?
Em conjunto com outros instrutores. Com práticas concretas. Com espaço para observares o que habitualmente não tens tempo para ver.
Não temos a resposta. Mas temos práticas que ajudam a fazer essa pergunta de forma mais honesta.
Porque a evolução no ensino não se mede pelo que sabes.
Mede-se pela tua capacidade de usar o que já tens.
O Programa
Três dias de imersão. Refeições, estadia em quarto individual e aulas incluídas.
Porque o que acontece dentro e fora das sessões é parte do trabalho. As conversas ao jantar. O silêncio da manhã. O tempo precioso de reflexão.
Duas sessões, duas convidadas — sobre o que ainda está por despertar em ti como instrutor, e sobre a tensão entre o que amas fazer e o que é necessário para que chegue aos teus alunos.
Um filme que coloca exactamente a pergunta certa na hora certa.
Práticas em grupo, dois a dois. Reflexões partilhadas. Momentos de movimento e de silêncio, num mosteiro construído para tocares o teu mundo interno.
O programa detalhado é partilhado após inscrição.
O que levas daqui
Não é um certificado. Não é um método.
É a capacidade de fazer uma pergunta melhor na próxima aula.
É saber observar o que está a acontecer — em ti e nos teus alunos — em vez de seguir o plano que preparaste.
É a memória de três dias em que paraste o suficiente para ver o que habitualmente não tens tempo para ver.
E a certeza de que não estás sozinho nesta travessia.
O Local
A Casa da Torre é uma antiga casa senhorial do século XVIII, recuperada e transformada num centro de espiritualidade. Fica em Soutelo, a poucos quilómetros de Braga, com vista sobre a confluência dos rios Cávado e Homem.
É um espaço construído para o silêncio. Para o encontro interior. Para o que não cabe no ritmo normal de uma semana de aulas.
Tem claustro, quinta, terraços e corredores amplos. O tipo de lugar onde se caminha devagar — não por disciplina, mas porque o espaço convida a isso.
É aqui que vamos trabalhar. E descansar. E deixar que as perguntas certas apareçam e a prática possa acontecer.
Datas
3, 4 e 5 de Julho
Casa da Torre, Soutelo, Braga
Chegada: dia 2 de Julho, durante a tarde, inicio com o jantar às 20h
Saída: dia 5 de Julho, Domingo, às 16h15
Como chegar
De Automóvel - Localização
De comboio ou autocarro — ao chegar a Braga, um táxi até à Casa da Torre, Soutelo fica a cerca de 15€., Uber ou Bolt cerca de 10.
Este retiro é para ti se
Já ensinas — ou já ensinaste e queres voltar a ensinar.
Sentes que repetes — não por preguiça, mas porque não tens uma forma de medir o que está realmente a acontecer.
Queres perceber como o teu ensino cresce — não em quantidade de alunos, mas em profundidade.
Estás disposto a trabalhar em grupo, a ser observado e a observar.
Este retiro não é para ti se
Nunca ensinastes nem estás a pensar ensinar.
Estás à procura de mais formas ou sistemas para levar para as aulas.
Preferes aprender sozinho a aprender em comunidade.
Quem guia este retiro
Lourenço Azevedo
No primeiro ano que ensinei passei seis meses com a sala vazia.
Não desisti. Mas também não sabia o que estava a fazer de errado.
Continuei a preparar as aulas, a aparecer, a ensinar — para ninguém.
Apesar de ser uma experiência valiosa, não a desejo a ninguém.
Ensino Chi Kung há mais de 25 anos. Em 2004 co-criei o primeiro curso de formação de instrutores de Chi Kung em Portugal, criando com isso um modelo que já formou centenas de instrutores neste país.
O que aprendi no meu percurso como instrutor não foram técnicas, dicas ou exclusivamente formas.
Foi a diferença entre aparecer e estar presente.
Entre ensinar formas e criar transformação.
Entre ter alunos e construir uma comunidade.
Este retiro nasce de uma destilação do que vi funcionar — e do que aprendi quando não funcionou.
Investimento
500€ em duas prestações.
270€ no momento da inscrição. 230€ até ao início do retiro.
Inclui estadia em quarto individual, refeições e todo o programa.
Inscrições abertas até 31 de Maio.
Próximo passo
Se o que leste ressoa, envia-me uma mensagem com o assunto Retiro Evolução — e respondo pessoalmente com os detalhes de inscrição.
Uma última coisa
Este retiro tem lugar num momento específico do ano lectivo.
Julho é o fim. Das aulas, do cansaço acumulado, das perguntas que ficaram por responder.
É também o momento certo para parar. Para observar o que aconteceu. Para perceber o que queres que seja diferente em Setembro.
Não trazes nada para aprender.
Trazes o que já és — e o que ainda não viste em ti.
Boas práticas.