Porque a Meditação não está a funcionar

Lago calmo com reflexo perfeito da floresta e névoa na montanha — quietude que emerge sem ser forçada

É comum, quando o tema da meditação surge e os seus desafios, que me recorde de uma conversa com um amigo.

Alguém com anos de prática e estudo nesta área.

Estávamos a falar sobre meditação, sobre a expansão que se vive nos últimos anos, e sobre como eu estava a tirar benefícios crescentes desde que comecei a aplicar um trabalho mais sistemático de respiração coerente nas minhas sessões.

Ele ouviu com atenção. E depois disse:

"Sabes, no passado, o estudante de meditação começava pelo pranayama. Aprendia a criar mestria sobre a respiração. Só quando a mente ficasse estável é que lhe era dado o passo seguinte — a meditação. Hoje nem sempre isto acontece."

Fez-se um silêncio entre nós.

E eu percebi que aquela frase explicava muita coisa.

O que se perdeu no caminho

Com o boom da meditação vieram os atalhos.

As apps. Os áudios guiados. Os programas de oito semanas. A promessa de que qualquer pessoa pode meditar — basta sentar-se, fechar os olhos e observar a respiração.

E é verdade. Qualquer pessoa pode tentar.

Mas existe uma diferença entre tentar e conseguir aprofundar.

Muitas pessoas sentam-se para meditar e encontram tensão em vez de repouso. A mente não para. O sono aparece antes da clareza. Ao fim de alguns minutos, a frustração instala-se.

E a conclusão frequente é que a meditação, apesar de ser uma prática válida, não é uma prática que consigam integrar nos seus dias — já por si só desconfortáveis, já por si só caóticos.

Há quem diga que esses desconfortos passam com a prática, com a insistência. E pode ser verdade.

Mas existe uma pergunta que vale a pena fazer antes de insistir: estamos a insistir numa direcção que faz sentido mediante a nossa condição actual?

Porque insistir sem essa clareza não traz necessariamente progresso — pode trazer mesmo mais esforço.

Requer mais energia do que a que se tem disponível.

E leva, frequentemente, ao abandono. Não por fraqueza — por esgotamento.

O que acontece quando a respiração está disfuncional

Respirar pela boca, de forma curta e superficial — mesmo em repouso, mesmo durante a meditação — tende a manter o sistema nervoso num estado de maior activação.

E mesmo que a respiração seja nasal, podem existir padrões disfuncionais — de hiperventilação, de retenção, ou de utilização menos eficiente do diafragma.

O corpo está sentado, num lugar seguro. Mas por dentro pode estar em estado de alerta.

Nesse estado, a mente dificilmente pacifica. Vagueia, resiste, adormece.

Não necessariamente por falta de disciplina — mas por ausência das condições fisiológicas que podem facilitar a prática da atenção plena.

A tradição indiana reconhecia isto. O pranayama — o trabalho sistemático com a respiração — não era um exercício paralelo à meditação. Era a sua preparação. Uma condição de entrada.

A ideia era que só quando a respiração estivesse mais regulada é que a mente teria condições para aquietar. E só então a meditação poderia dar o que tem para dar.

O que pode mudar quando a respiração está mais regulada

Quando se aprende a respirar de forma mais profunda, lenta, leve e nasal — antes de começar a meditar — o sistema nervoso tende a receber uma mensagem diferente: de segurança, que pode relaxar.

O corpo abranda. O batimento cardíaco regulariza. A mente encontra um ponto de ancoragem mais natural.

A quietude não precisa de ser forçada. Pode emergir das condições que a respiração cria no corpo.

É a diferença entre tentar acalmar a superfície de um lago agitado com as mãos e parar de atirar pedras.

Uma prática para junho

Foi a partir desta compreensão — da respiração como preparação e não como acessório — que construí este programa.

Junho é, na Medicina Tradicional Chinesa, um tempo de transição e consolidação antes do verão pleno. Um período que convida à criação de condições internas antes da expansão dos meses quentes.

Pareceu-me o momento natural para propor exactamente isto.

Em junho, de 1 a 19, proponho um programa de 21 dias de Respiração Coerente — 20 minutos por dia, das 7h00 às 7h20, ao vivo, online, em grupo.

Não é um programa de meditação. É uma exploração do que a respiração pode preparar.

Para quem já medita — e sente que a prática pode ter mais para oferecer.

Para quem tentou meditar e desistiu — e nunca considerou que o padrão respiratório pudesse estar envolvido.

Para quem ainda não começou — e quer explorar este caminho com curiosidade.

Se ressoa consigo, pode saber mais aqui.

Até para a semana.

Boas práticas

Lourenço de Azevedo


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