Da Urgência à Resiliência
Em Setembro de 2025 estive no palco do TEDx Braga e coloquei em voz alta, pela primeira vez, para uma sala com mais de 100 pessoas, esta pergunta:
Quanto vos custa estar vivos?
Quanto é que custa estar aqui, presentes, atentos, funcionais?
Não me referia a dinheiro. Referia-me a energia.
A equação que ninguém nos ensinou na escola
Ao longo de mais de 25 anos de trabalho com pessoas, fui percebendo que existem três elementos que determinam esse custo energético — e que se repetem em todos nós, sem excepção.
O primeiro é a gravidade. A forma como nos mantemos de pé, como coordenamos o corpo no espaço, como respondemos ao peso constante que nos puxa para baixo. Não é apenas uma questão de postura. É uma metáfora do que a vida nos pede: manter-nos erguidos quando tudo nos desafia.
O segundo é a respiração. Respiramos cerca de 20.000 vezes por dia. São 20.000 oportunidades para dizer ao sistema nervoso que estamos seguros — ou para confirmar que estamos em alerta. A diferença está, muitas vezes, na escolha de respirar pelo nariz ou pela boca.
O terceiro é a alimentação. Mas aprendi que este é, em grande parte, um subproduto dos outros dois. Quando estamos sob stress, o corpo pede energia rápida — açúcar, gordura, tudo o que nos tira dali rapidamente. Quando estamos regulados, as escolhas mudam sozinhas.
Gravidade, respiração, alimentação. Quanto nos custa gerir estes três elementos é a fórmula da nossa sustentabilidade.
A pergunta que muda tudo
Esta é a pergunta frequente: "Quanto me vai custar cuidar de mim?"
O ginásio, as aulas, o tempo, a energia — tudo parece mais um custo numa lista às vezes já demasiado longa.
Mas a pergunta que considero ser mais significativa nos dias de hoje é outra:
Quanto me custa não cuidar de mim?
O custo de estar numa reunião sem foco, depois de uma noite mal dormida.
O custo de uma discussão que não correu como esperava porque o stress escalou à primeira contrariedade.
O custo de não conseguir estar com os seus filhos porque os joelhos doem e o cansaço pesa — depois de um dia de postura desalinhada, respiração pela boca e um almoço que foi qualquer coisa, qualquer coisa menos o que o seu corpo precisava para realmente se nutrir.
Esse custo não aparece em nenhuma factura. Mas paga-se todos os dias.
O Mário
Na palestra terminei com a história de um estudante do 12º ano. Vou chamá-lo Mário.
O Mário queria ser médico. No 11º ano teve algumas lesões, depois vieram as questões emocionais resultantes da lesão — e quando chegava aos exames, sabia a matéria, mas o stress bloqueava o que ele tinha para oferecer.
Isto não acontece só com o Mário — é, pelo que percebi ao longo dos anos, uma autêntica pandemia.
Muitos alunos sabem, mas depois não conseguem nos momentos chave como os exames demonstrar que o sabem.
Trabalhámos dois meses. Só com a respiração. Um áudio para dormir melhor, uma regra simples: respirar sempre pelo nariz, onde quer que estivesse.
No dia do exame, houve um momento difícil. E o Mário lembrou-se de respirar pelo nariz.
Semanas depois, o exame foi corrigido e o Mário entrou para medicina e realizou o seu sonho.
Escrito assim até parece fácil. Mas exigiu a dedicação do Mário.
Como um atleta que treina para os Jogos Olímpicos, para que o resultado seja o mais próximo do seu potencial real.
E isso fez com que atingisse algo extraordinário — que estava antes na gaveta dos sonhos — ao mesmo tempo muito simples: regular a sua respiração ao ponto de, em momentos de stress, saber regressar a ela para se regular.
Percebeu que em momentos de stress estava nas suas mãos reverter a situação.
É isso. É sempre isso.
Podemos não poder mudar as situações, mas podemos escolher o que fazer com elas.
O que ficou do palco
Estar no TEDx foi uma experiência estranha e especial.
Estranha porque falar para muitas pessoas sobre aquilo que se ensina em silêncio — a respiração, o corpo, a presença — exige uma tradução que nem sempre é fácil.
Especial porque no final da palestra convidei a sala a fazer uma respiração coerente em conjunto. E fez-se um silêncio diferente. O tipo de silêncio que reconheço das aulas e que leva, com o tempo e a consistência, à transformação.
Se tiver curiosidade em ver o que aconteceu naquele palco, deixo aqui o link:
Ver a palestra TEDx — Da Urgência à Resiliência
Até para a semana.
Boas práticas
Lourenço de Azevedo
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