A Coisa

Um psiquiatra de Harvard passou quinze anos a estudar algo que a medicina convencional tende a ignorar.

Casos de pessoas com doenças crónicas debilitantes — cancro pancreático em fase terminal, tumores cerebrais, doenças autoimunes severas — que recuperaram quando tudo apontava para que isso não fosse acontecer.

Não eram milagres. Eram padrões.

O que Jeff Rediger descobriu ao longo desse trabalho contrariou o que esperava encontrar. Não havia uma causa única. Não havia um protocolo. Não havia "a coisa" que explicasse as recuperações.

O que havia era um conjunto de mudanças — alimentação, sistema imunitário, mente, relações, propósito. Nenhuma isolada. Todas em movimento ao mesmo tempo, criando as condições para que o corpo encontrasse o seu próprio equilíbrio.

O paradigma que nos limita

Vivemos numa cultura de solução única.

É isso que vende.

Um sintoma, um diagnóstico, um medicamento.

Uma dor, uma causa, um tratamento.

Um problema, uma aplicação, uma resposta.

Este modelo tem valor — salvou e salva vidas. Mas tem um limite: não explica porque duas pessoas com o mesmo diagnóstico, o mesmo tratamento, têm resultados completamente diferentes.

E não explica as recuperações que Rediger documentou.

O que as pessoas que recuperaram fizeram não foi encontrar "a coisa". Foi criar, de forma muitas vezes intuitiva, um conjunto de condições internas que permitiram ao corpo fazer o que sabe fazer — regenerar.

A porta de entrada existe

Isto não significa que tudo vale igualmente. Ou que não há por onde começar.

Há sempre uma porta de entrada. Um primeiro passo que abre o seguinte. Uma mudança pequena que cria condições para a seguinte.

A diferença é que essa porta é uma entrada — não o destino. É o início de um processo, não a solução.

Quem a confunde com a solução tende a abandoná-la quando os resultados não chegam com a velocidade esperada. E regressa à busca.

Há um cansaço particular em quem procura "a coisa" há muito tempo.

Não é o cansaço de quem desistiu. É o cansaço de quem continua a tentar — com determinação genuína — e não percebe porque não está a funcionar.

O que Rediger sugere — e o que a experiência clínica confirma — é que a pergunta pode estar errada.

Não "qual é a coisa que vai resolver isto?"

Mas "que conjunto de condições pode criar o ambiente para que o meu corpo encontre o seu equilíbrio?"

É uma pergunta mais lenta. Mais humilde. E frequentemente mais útil.

É a diferença entre a pessoa que quer perder peso e vai ao ginásio — o ginásio é a coisa. E a outra que decide que quer ser saudável — essa abraça um caminho, não uma coisa.

Ainda acredita na coisa?

E se já não — qual a porta de entrada que descobriu?

Boas práticas

Lourenço de Azevedo


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