Academia Regenerar

Quando a Primavera não acontece

 

A chegada da Primavera pode ser acompanhada de uma sensação de astenia profunda, de frustração ou incapacidade de acompanhar o ritmo que a natureza propõe.

Observa-se à volta que as plantas estão a despontar cheias de vitalidade. Que há pessoas apaixonadas. Que o ar fica mais quente e leve.

Internamente, não há consonância.

Pode até criar irritação ou tristeza profunda.

A frustração de não conseguir

É a frustração de não conseguir abraçar um novo momento, projecto ou aventura que surge. Não porque não se quisesse. Mas por falta de energia física ou mental.

Vêem-se outras pessoas a começar coisas novas com um entusiasmo que parece vir de outro planeta. E mal se consegue manter o que já existe.

É nesta estação que se acentua a incapacidade de se levantar de manhã com energia. Sente-se uma irritação ou nervoso miudinho que se mantém ao longo do dia.

Tudo parece exigir mais esforço do que deveria.

Os culpados

Existe mais insatisfação. Mais discussões. E com frequência, "os outros são os culpados" do que acontece.

O tempo. As dores. O trânsito. O Governo. A família. Os vizinhos barulhentos.

Porque é mais fácil apontar para fora do que olhar para dentro e reconhecer: algo não está bem.

O que aconteceu antes

Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, quando a Primavera assume estas características, significa que o Inverno foi vivido a um ritmo intenso — quando deveria ter sido vivido a um ritmo mais calmo.

O Inverno prepara a Primavera. Tal como a noite prepara a vitalidade com que se acorda.

Mas ninguém disse para parar no Inverno. O trabalho não parou. As responsabilidades não pararam. A vida não parou.

E agora, quando a Primavera pede expansão, o corpo ainda está contraído. Ainda está a recuperar de um Inverno que nunca foi verdadeiramente vivido como repouso.

O calendário não espera

O calendário diz que é Primavera.

As redes sociais mostram pessoas a fazer "limpezas de Primavera", a começar novos projectos, a sentirem-se renovadas.

E a sensação de não estar em harmonia, de estar fora do ritmo, aumenta.

Porque a Primavera não é uma decisão. Não é força de vontade. Não é "escolher estar bem".

A Primavera é uma consequência. De um Inverno bem vivido. De um corpo que teve tempo de recolher, de repousar, de regenerar.

E se esse Inverno não aconteceu — se continuou em modo intenso, em modo "tenho de dar conta de tudo" — então a Primavera também não acontece.

Não porque não se queira. Mas porque o corpo simplesmente não tem recursos.

É um diagnóstico directo a como a nossa fisiologia se encontra agora, um espelho brutal por vezes.

Quando o corpo diz não

O corpo diz não através da irritação. Da incapacidade de se levantar. Das dores que aparecem. Da mente que não foca.

Não é sabotagem. Não é fraqueza. É protecção.

O corpo está a dizer: "Não tenho recursos para expandir. Ainda estou a recuperar."

Mas a vida não espera. As responsabilidades não espera. A Primavera não espera.

E fica-se no meio. Sabendo que algo não está bem, mas sem saber como sair disto.

A incapacidade de viver a Primavera não é falta de vontade. É o resultado de meses — talvez anos — a viver contra o ritmo natural do corpo.

Na Academia Regenerar existe um programa chamado Retorno à Respiração. Não vai resolver tudo. Não vai fazer a Primavera acontecer de um dia para o outro.

Mas pode ser o primeiro passo para começar, ao seu ritmo, a criar condições para que o corpo possa, eventualmente, acompanhar o ritmo das estações e mais importante a encontrar o seu próprio ritmo.

Se quiser saber mais pode aqui encontrar mais informações.

E se tiver dúvidas responda a este email.

Até para a semana,

Lourenço de Azevedo


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