O que te tira da caixa?
Nos sistemas de saúde convencionais existe uma tendência antiga: categorizar.
É comum quem chega com ansiedade, com depressão, com insónia, encontrar um protocolo, uma lógica, uma caixa onde esse conjunto de sintomas se encaixa.
O que observo — e que me preocupa — é que esta tendência começa a migrar também para os sistemas mais tradicionais.
A MTC, o yoga, a meditação — práticas que nasceram de uma visão profundamente individualizada da pessoa — começam a adoptar a mesma lógica de eficiência e categorização.
A caixa tem a sua utilidade. Organiza. Permite agir.
Mas a recuperação, especialmente em questões crónicas — raramente acontece dentro dela.
O que aprendi ao longo de anos de consultas é que o momento em que algo muda não é quando se identifica o padrão. É quando se encontra o que é único naquela pessoa dentro do padrão.
Duas pessoas com depressão não têm a mesma depressão. Têm histórias diferentes, corpos diferentes, recursos diferentes, formas diferentes de estar no mundo. E é exactamente aí — naquilo que as distingue — que a recuperação se torna possível.
O terapeuta que só vê a caixa perde a pessoa.
Mas há uma pergunta que raramente se faz a seguir: e o que acontece quando é o próprio terapeuta — ou o instrutor, ou o professor — que vive dentro de uma caixa?
"Sou instrutor de yoga."
"Sou professor de meditação."
"Sou terapeuta de..."
São caixas também.
Úteis para apresentar o que se faz. Mas insuficientes para responder à pergunta que realmente importa:
O que te distingue de todos os outros na mesma caixa?
O que te distingue do professor de meditação que dá aulas no mesmo espaço que tu? Do instrutor de yoga do estúdio ao lado? Do terapeuta com a mesma formação?
A resposta não está em mais certificações. Não está em mais formas ou mais sistemas.
Está naquilo que é insubstituível — a assinatura que só tu deixas no que fazes. E que muitas vezes ainda não foi reconhecida — nem por ti.
E muitas vezes quem ensina não é diferente de quem chega à consulta.
Funcional. Competente. Sem diagnóstico nenhum.
Mas igualmente dentro de uma caixa — e igualmente fora de si.
Há pessoas que vivem assim. Sem ansiedade, sem depressão, sem nada que indique que algo está errado.
E passam a vida inteira sem descobrir o que as distingue.
Mas sem tocar aquilo que é essencial — aquilo que, se fosse reconhecido e vivido, mudaria não só a forma como trabalham mas a forma como chegam a quem está à sua frente.
A evolução não é aprender mais. É sair da caixa que define o que és — e encontrar o que te torna insubstituível dentro do que fazes.
Três dias para fazer essa pergunta
Este retiro foi originalmente desenhado para instrutores de Chi Kung. Mas toca temas universais para quem quer evoluir na sua área — seja como terapeuta, seja no ensino de outras disciplinas tradicionais.
Para quem chegou a um momento em que sente que há uma pergunta por fazer. Uma pergunta que em algum momento na vida de ensino ou de prática terpêutica tem de ser feita.
Se és instrutor de Chi Kung — ou se te reconheces neste tema e tens disponibilidade para três dias de imersão, num seminário em Barcelos, de 3 a 5 de Julho — podes saber mais aqui:
Retiro Evolução — 3, 4 e 5 de Julho, Barcelos
Inscrições até 26 de Junho.
Até para a semana.
Boas práticas
Lourenço de Azevedo
Se sentir que este tema é importante para si e gostaria de explorar a respiração de forma mais personalizada, pode marcar uma sessão individual comigo aqui.
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