Academia Regenerar

Porque é importante fortalecer a imunidade na primavera

Dente-de-leão segurado por uma mão contra céu ao pôr do sol, símbolo de renovação e respiração consciente na primavera

 

Era uma manhã de primavera de 2019.

Acordei com rinite alérgica instalada com os sintomas que para mim são habituais — corrimento nasal, espirros, os olhos a pedir descanso. Pela frente tinha uma viagem de comboio de três horas e meia até Lisboa e um fim de semana completo de ensino.

O problema era simples e simultaneamente complexo: sei pela minha experiência que a minha rinite demora dois dias a passar. E eu precisava de estar são naquele fim de semana.

Há quase 30 anos que não tomo qualquer medicamento — anti-histamínicos, anti-inflamatórios, antibióticos.

Não por princípio rígido, mas porque ao longo dos anos fui encontrando outras formas de responder ao que o corpo me pede.

Naquele comboio, tinha uma janela de tempo. E decidi usá-la.

O que faz um anti-histamínico?

Antes de perceber o que fazer, quis perceber o quê.

Um anti-histamínico não elimina a causa da alergia. O que faz é trazer o corpo para um estado de maior relaxamento — reduz o estado de alerta em que o sistema imunitário entrou em hiperactivação. É por isso que muitos recomendam não conduzir depois de o tomar: o corpo abranda, a mente relaxa, o sono aparece.

E se fosse possível chegar a esse mesmo estado pela respiração?

Não era uma ideia nova para mim. Era algo que ensinava.

Mas nunca tinha testado assim — numa situação real, com sintomas activos, num comboio em movimento.

Três horas e meia de respiração

Coloquei os auscultadores. Tinha um áudio de respiração consciente — semelhante ao que utilizo hoje nas sessões de respiração coerente.

Uma inspiração pelo nariz longa. Uma expiração com o mesmo tempo. Um ritmo lento e regular, repetido de seis em seis segundos.

Nas primeiras respirações, o corpo resistia. Os espirros continuavam. O nariz corria.

Mas fui ficando. Adormecia, voltava à respiração, adormecia de novo. Não havia esforço — apenas o áudio, a respiração, o movimento do comboio.

Na primeira meia hora, os sintomas começaram a diminuir.

Três horas depois, quando cheguei a Lisboa, a rinite tinha desaparecido. Sentia-me revitalizado.

Ensinei o fim de semana inteiro sem qualquer sinal de que aquela manhã tinha existido.

O que aconteceu?

Quando o corpo entra em modo de alerta — e uma reacção alérgica é exactamente isso, o sistema imunitário a reagir com mais intensidade do que o necessário — liberta uma série de substâncias que ampliam essa resposta. A histamina é uma delas.

A respiração lenta e consciente faz o caminho inverso. Comunica ao corpo que está seguro. Que pode sair do modo de alerta. Que não precisa de se defender com tanta intensidade.

É a linguagem mais directa que temos para falar com o sistema nervoso — e o sistema nervoso, por sua vez, fala com o sistema imunitário.

Mais tarde quando regressei encontrei estudos que confirmam exactamente isto: a respiração consciente reduz a libertação de histamina e melhora os sintomas da rinite alérgica.

O corpo tem os seus próprios mecanismos. A respiração é a chave de acesso.

Porque a primavera pede esta atenção

Na medicina tradicional chinesa, a primavera é a estação do fígado — a estação da renovação, da energia ascendente, do movimento para fora depois do recolhimento do inverno.

É também a estação em que o sistema imunitário é mais convocado, porque as toxinas acumuladas por uma vida mais sedentária e a alimentação mais rica do inverno começam a circular

As alergias, as rinites, os olhos a lacrimejar, o cansaço que não passa — são sinais de um organismo em transição, a tentar adaptar-se à mudança, a tentar de alguma forma expelir a toxicidade.

Fortalecer a imunidade na primavera não é apenas evitar o que nos afecta, não é apenas não ficar doente. É criar internamente as condições para que o corpo responda com equilíbrio — em vez de em hiperactivação.

E uma das formas mais directas de o fazer é pela respiração diária, praticada antes de existir qualquer sintoma.

Como começar

Não é preciso uma situação de crise para começar a praticar.

Cinco minutos pela manhã pode ser um bom começo. Inspire contando até cinco. Expire contando até cinco. Repita durante cinco minutos — sem forçar, sem objectivo além de estar presente na respiração.

Se tiver acesso a um áudio com este ritmo, use-o. O corpo aprende a entrar neste estado com mais facilidade cada vez que o repete.

Se quiser aprofundar esta prática com acompanhamento, na Academia Regenerar existe um programa de respiração consciente com duas sessões semanais em directo, uma biblioteca de práticas gravadas, sessões regulares onde pode colocar as suas questões e acesso a uma app para respirar onde quer que se encontre.

Se este é o momento certo para si, pode saber mais aqui

Naquele comboio de 2019, não tinha um protocolo. Tinha apenas a respiração e três horas e meia de tempo.

Foi suficiente.

Até para a semana.

Boas práticas

Lourenço de Azevedo


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