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Reduzir o ruído

Jan 05, 2026

Em 2012 decidi fazer um detox eletrónico e durante duas semanas não utilizei qualquer dispositivo eletrónico.

Foi um período memorável, de clareza para além daquela que julgamos ser possível no dia a dia — mas quando libertamos espaço, outras perspectivas surgem.

Durante essas duas semanas intensifiquei o meu journaling e no final tornei-me consciente da importância do ruído nas nossas vidas como seres humanos.

O ruído do corpo, que nos pede atenção, especialmente se estamos a viver algum desconforto físico. E da mente, que incessantemente processa tudo com milhares de pensamentos diários e que pode em alguns momentos ser semelhante ao ruído de um frigorífico ruidoso, uma lâmpada fluorescente que cintila de forma imprevisível, ou da proximidade de uma estrada ou aeroporto com um ruído ou vibração que nos acompanha 24 sobre 24 horas.

Trouxe desta experiência uma pergunta, quase como uma adivinha que o universo me colocou na mesa: "Como é que no aqui e agora posso reduzir o ruído na minha vida?"

Essa resposta tem vindo a ficar cada vez mais clara com o tempo e assenta nos três aspetos que criam ruído nas nossas vidas — e que trazem consigo mais três perguntas:

O alinhamento do corpo pode criar um ruído ensurdecedor, que pode ir desde um desconforto leve a uma dor crónica que nos acompanha durante os dias e às vezes durante as noites. Se as alternativas químicas podem ser uma solução, estas não resolvem uma questão com que nos debatemos desde que nascemos: qual é a nossa relação com a gravidade? Qual o nosso alinhamento? Como cuidamos da nossa mobilidade no dia a dia — é algo tão vital como a higiene pessoal, ou é algo semelhante a tomar banho uma vez por semana, que acontece só quando já não nos suportamos a nós mesmos?

A forma como respiramos. Neste momento, enquanto lê este artigo, está a respirar pelo nariz ou está a respirar pela boca? Apesar de aparentemente estar em repouso, na posição sentada, não necessita de uma entrada adicional de ar pela boca — algo que se justifica em algumas situações de esforço físico, mas que quando acontece em repouso maioritariamente significa haver um stress, um ruído subjacente no sistema nervoso que cria uma situação de alerta.

A forma como nos alimentamos e gerimos os nossos níveis de açúcar. Pense no que acontece quando o corpo está cansado ou stressado — a mão vai ao armário, ao frigorífico, a algo doce ou salgado que traga alívio imediato. Não é fome. É ruído a pedir para ser abafado com mais ruído. Mais desconforto, mais stress, menos repouso físico levam a consumo de mais gordura e mais açúcar. E o ciclo alimenta-se a si mesmo, literalmente.

Estas três perguntas são a resposta à equação: "Quanto nos custa estar vivos?"

Nesta época do ano é um custo maior depois do muito que foi dezembro. O sistema imune procura eliminar o mais possível, recupera-se do sono, ressaca-se do açúcar e do que achamos que para nós foi demais.

Talvez por isso seja tão apetecível quebrar os ciclos, rasgando a folha velha e começando num papel branco.

Mas a vida nem sempre permite esse feito.

E o que acontece quando neste momento introduzimos uma nova proposta nas nossas vidas? Estamos não só a criar mais ruído como a aumentar o gasto de quanto nos custa estar vivos — muitas vezes desnecessariamente.

Então, e se em vez de aumentarmos o custo do nosso dia, trazendo mais um elemento, nos focássemos em reduzir o ruído? Em reduzir o custo?

Começando por um aspeto tão vital como a respiração — não só um dos elementos mais disponíveis, mas também dos mais poderosos que temos ao nosso alcance.

20.000 vezes por dia.

Como vai ser a sua próxima respiração?

  • Pela boca ou pelo nariz.
  • Rápida ou lenta.
  • Superficial ou profunda.

Para quem quiser explorar esta direção, reunimos alguns recursos que estavam disponíveis apenas para os subscritores da Academia Regenerar. Agora estão acessíveis — não como mais uma coisa a adicionar, mas como apoio para subtrair.

Boa semana, bom ano.

Lourenço de Azevedo

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